A PAISAGEM A paisagem, em uma definição mais abrangente, pode ser entendida como a composição de elementos da natureza no espaço, dentre os quais a fauna e a flora, o homem e as edificações que constrói com a sua ação no espaço geográfico. A Geografia, enquanto ciência, estuda a paisagem por deferentes vertentes do pensamento geográfico de distintas maneiras. Mas todas têm como consenso, que a paisagem, é a materialização resultante da interação do homem e os elementos da natureza. A paisagem também pode ser tudo que pode se ver num lance de vista ou o "conjunto de componentes naturais ou não de um espaço externo que pode ser apreendido pelo olhar" (HOUAISS, 2001, p. 2105). A polissemia da paisagem traz consigo muitas definições. Entre estas, para Santos (2002), "a paisagem é o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas reações localizadas entre homem e natureza". Santos, aqui, agrega à paisagem o fator da temporalidade na sua constituição. Assim, ao longo da história, as diferentes abordagens sobre paisagem tentam não somente descrevê-la enquanto conceito geográfico. A paisagem é diferenciada e compartimentada entre paisagem natural, que reflete a interação dos elementos naturais (relevo, vegetação, solo, rios, etc.) e paisagem cultural, como o resultado da ação do homem e da sociedade sobre a natureza, da qual resulta os espaços urbanos e rurais. Mas, também, a paisagem como objeto que pode ser sentida pelo homem, trazendo-lhe inúmeras sensações e sentimentos. Berque (1998) afirma que a paisagem é uma marca, pois expressa uma civilização, mas é também uma matriz, porque participa dos esquemas de percepção, de concepção e de ação – ou seja, da cultura, que canaliza, em um certo sentido, a relação de uma sociedade com o espaço e com a natureza e, portanto, corresponde a paisagem do ecúmeno. Bertrand (1968), ao propor o estudo de Geografia Física Global, pensou a paisagem como "resultado sobre uma certa porção do espaço, da combinação dinâmica e, portanto, instável dos elementos físicos, biológicos e antrópicos, que, interagindo dialeticamente uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único e indissociável em contínua evolução". A paisagem também pode ser tida como a "configuração de símbolos e signos" (COSGROVE e JACKSON, 2003, p. 137), sendo que a "linha interpretativa da Geografia Cultural recente desenvolve a metáfora da paisagem como ’texto’, a ser lido como documento social". Dessa maneira, o estudo geográfico da paisagem apresenta dois enfoques principais. Um que a considera total e a identifica como o conjunto do meio, contemplando a este como indicador e síntese das inter-relações entre os elementos inertes: rocha, água e ar, e os vivos: plantas, animais e homem. E o outro, que considera a paisagem visual percebida como a expressão dos valores estéticos, plásticos e emocionais do meio. A paisagem, em seu conjunto, reúne todos esses fatores, e aos quais se adiciona a possibilidade de valores expressivos e de significação cultural. Os mesmos podem compreender conteúdos estéticos e conotações significativas, constituindo-se como um tema de inspiração para o homem. Ao tratar sobre a origem e a conformação do processo de produção de uma paisagem, seja ela natural ou cultural, intervém um conjunto de fatores geológicos, geográficos e biológicos, que não permitem analisá-la como ente independente do ser humano e sobre sua incidência no mesmo, posto que sua ideologia, desenvolvimento e cultura modificam em maior ou menor grau tais fatores. Essa correlação entre o homem e esses fatores daria lugar à história de uma paisagem. Não se pode realizar uma análise específica de um lugar sem considerar os aspectos gerais, que tornariam esse estudo mais completo. Em "The Morphology of Landscape", Sauer (1925) argumenta que a paisagem geográfica é formada pelo conjunto de formas naturais e culturais associadas a uma dada área e analisada morfologicamente, a integração das formas entre si e o caráter orgânico delas. Portanto, a paisagem cultural ou geográfica é uma resultante da ação, ao longo do tempo, da cultura sobre a paisagem natural. Sauer também considera que a "paisagem possui uma identidade, sustentada por uma constituição reconhecível, limites e uma relação com outras paisagens, para construir um sistema geral". O estudo da paisagem cultural proporciona uma base para a classificação regional, possibilita um insight sobre o papel do homem nas transformações geográficas e esclarece sobre certos aspectos da cultura e de comunidades culturais em si mesmas. Busca diferenças na paisagem que possam ser atribuídas a diferenças de conduta humana sob diferentes culturas, e procura desvios de condições "naturais" esperadas, causados pelo homem. A paisagem cultural aborda a associação de características humanas, biológicas e físicas sobre a superfície da Terra (especialmente as que são visualmente perceptíveis), alteradas ou não pela ação humana. Como a paisagem, é considerada a materialização da ação humana no espaço, através da necessidade de adaptação à sobrevivência do homem na natureza, e, atualmente, a sociedade, de alguma maneira, está presente em quase toda a superfície terrestre, podemos dizer que, nessas circunstâncias, não mais existe uma paisagem natural. Haja vista que toda a paisagem, mesmo que aparentemente intocada, já perdeu a sua "naturalidade", pois foi, segundo Santos (2002), coisificada. Mesmo que o homem não tenha nela colocado os seus pés, já lhe foi atribuído algum significado e, portanto, faz parte de uma cultura, até mesmo de uma cultura capitalista, na qual faz parte o "racionalismo econômico" (LEFF, 2006) a tudo dá valor. Assim sendo, mesmo de maneira genérica, poder-se-ia dizer que toda a paisagem é cultural, pois mesmo nos recantos intocados das florestas tropicais há a incidência dos valores sociais atribuídos pelo homem.
O LUGAR
O lugar foi definido por Aristóteles como o espaço que circunda o corpo. Descartes, buscando elaborar o conceito aristotélico, afirma que a determinação do lugar deve obedecer à relação da posição do corpo com a posição dos outros corpos. A dialética marxista identifica na apropriação capitalista do espaço um processo de personalização dos lugares que, simultaneamente, reconstroem suas singularidades e expressam o fenômeno global em curso nos últimos séculos.
Apesar das singularidades dos diversos lugares, crescem, especialmente em função da expansão das redes de comunicação e de transportes que vivenciam franca acele ação no mundo contemporâneo, as interações entre os lugares, embora hierarquizadas de acordo com suas infra-estruturas logísticas conectoras.
Portanto, o conceito de lugar amplia-se profundamente diante das novas visões desenvolvidas por aqueles que se debruçaram sobre ele mediante as perspectivas marxistas e humanísticas da geografia recente. Expressando singularidade e globalidade, e materializando a construção de identidades individuais e coletivas, o lugar passa a representar muito mais do que um espaço que circunda o corpo.
Apesar das singularidades dos diversos lugares, crescem, especialmente em função da expansão das redes de comunicação e de transportes que vivenciam franca acele ação no mundo contemporâneo, as interações entre os lugares, embora hierarquizadas de acordo com suas infra-estruturas logísticas conectoras.
Portanto, o conceito de lugar amplia-se profundamente diante das novas visões desenvolvidas por aqueles que se debruçaram sobre ele mediante as perspectivas marxistas e humanísticas da geografia recente. Expressando singularidade e globalidade, e materializando a construção de identidades individuais e coletivas, o lugar passa a representar muito mais do que um espaço que circunda o corpo.
O ESPAÇO GEOGRÁFICO
O espaço geográfico
é aquele que foi modificado pelo homem ao longo da história. Que contém um passado histórico e foi
transformado pela organização social, técnica e econômica daqueles que
habitaram ou habitam os diferentes lugares (“o espaço geográfico é o palco
das realizações humanas”).
Um
conceito bastante presente na geografia em geral, o espaço geográfico
apresenta definição bastante complexa e abrangente. Outros conceitos também
relacionados ao espaço geográfico, ou antes, que estão contidos nele são:
lugar, que é um conceito ligado a um local que nos é familiar ou que faz parte
de nossa vida, e paisagem que é a porção do espaço que nossa visão alcança e é
produto da percepção.
A
primeira definição de “espaço” foi feita pelo filósofo Aristóteles para
o qual este era inexistência do vazio e lugar como posição de um corpo entre
outros corpos. Aristóteles ignorava o homem como constituinte do espaço,
contudo, ele já considerava um aspecto importante da estrutura do espaço
geográfico, a localização.
Mais
adiante, no século XVIII, Immanuel Kant define o espaço como sendo algo não
passível de percepção, porém, o que permite haver a percepção. Ou seja, Kant
introduziu a idéia de que o espaço é algo separado dos demais elementos
espaciais. Entretanto, suas idéias não permitem concebê-lo como algo
constituído de significado ou estrutura própria.
Mais tarde, outros filósofos inserem o homem como um componente essencial para
a compreensão do espaço, com ser que cria e
modifica espaços de acordo com suas culturas e objetivos.
Por último, seguiu-se a concepção filosófica de espaço proposta por Maurice
Merleau-Ponty: “O espaço não é o meio (real ou lógico) onde se dispõe as
coisas, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível.”. Todas
estas são concepções filosóficas do espaço que, entretanto, diferem um pouco da
concepção geográfica.
A concepção geográfica de espaço que predominou de 1870 a meados de
1950, embora este ainda não fosse considerado como objeto de estudo, foi a
introduzida por Ratzel e Hartshorne para os quais a concepção de “espaço vital”
se confundia com a de território a medida em que era atrelado à ele uma relação
de poder. Hatshorne usa o conceito de Kant, ou seja, para ele o espaço em si
não existe, o que existe são os fenômenos que se materializam neste
referencial. Aqui, espaço e tempo são desprezados.
A partir de 1950 o espaço passa a ser associado à noção de “planície
isotrópica” (superfície plana com as mesmas propriedades físicas em todas as
direções, homogênea) sob a ação de mecanismos unicamente econômicos (uso da
terra, relações centro – periferia, etc.).
Em 1970 surge uma nova concepção atrelada à geografia crítica, que tem
com base os pensamentos marxistas e para a qual o espaço é definido como o
locus da reprodução das relações sociais de produção. Nesta concepção espaço e
sociedade estão intimamente ligados.
Mais tarde surge uma nova concepção epistemológica para geografia que
passa a encarar o espaço como fenômeno materializado. Ou, nas palavras de ALVES
(1999), o espaço “é produto das relações entre homens e dos homens com a
natureza, e ao mesmo tempo é fator que interfere nas mesmas relações que o
constituíram. O espaço é, então, a materialização das relações existentes entre
os homens na sociedade.”.
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